Sudeste Asiático

Esquentando a barriga no fogão na Tailândia – Aula de culinária 

Eu amo comer! E por um acaso do destino, eu sou dessas que além de amar comer, também ama cozinhar. Eu gosto mesmo. Então quando estava montando o roteiro do Sudeste Asiático, nunca nem passou pela minha cabeça não fazer uma aula de culinária de uma das minhas cozinhas favoritas, a Tailandesa. Na verdade, eu queria ter feito uma em cada país, mas o roteiro apertado não permitiu e eu tive que escolher um único lugar.

Fazer uma aula de culinária no Sudeste Asiático é fácil. O programa já virou uma atividade turística e em qualquer cidade que você vá, tem pelo menos um pacote que normalmente oferece uma visita a um mercado local + aula de culinária (essa aula pode ser de um dia inteiro ou de meio dia).

Como eu já tinha cortado uma série de atividades em Chiang Mai por não concordar com a exploração predatória, era nessa cidade que eu teria mais tempo vago, então foi lá que eu decidi colocar minha barriga para esquentar em um fogão.

Eu tinha pesquisado e escolhido a escola de culinária aqui no Brasil. Como toda boa turista, eu escolhi a Mai Thai Cookery School que é a mais conhecida e popular devido ao dono, o culinarista Sompon Nabniam, uma espécie de Jamie Oliver da Tailândia, mas não reservei. No pr[oprio site já tinha visto que o dia de aula custaria 1.450 bath. Quando eu cheguei no hotel de Chiang Mai fui conversar com a gerente sobre os passeios na cidade e falei que queria fazer a aula de culinária na Mai Thai. Ela me disse que era boa mas me perguntou se eu não preferia fazer a aula em um lugar mais barato (o dia de aula saiu por 1000 bath), tão bom quanto e que geraria renda para pessoas locais ao invés de dar dinheiro para um cara que já era rico. Aí a ficha caiu! Óbvio que eu prefiro mover a economia local!!! Foi uma ótima troca!

A escola de culinária que ela me sugeriu foi a Thai Kitchen Cookery Centre Uma escola pequena e simples bem mais barata do que as escola de culinária badaladas.

Como a Julia é muito pequena e os dotes culinários do meu marido se restringem a sanduíches e ovos mexidos, deixei os dois no hotel dormindo e saí para a minha aula.

O carro me buscou bem cedo, eram 8:15 quando estacionaram na porta do hotel. Dentro da picape transformada em Tuk Tuk já tinha uma Norueguesa e depois ainda entrariam mais umas 8 pessoas que foram gentilmente espremidas nos dois bancos laterais enquanto o motorista nos jogava de um lado para o outro, daquela forma que só os tailandeses sabem fazer.

A faixa etária os aspirantes a Antony Boirdain estava na casa dos poucos 20 anos, quase todos estudantes que ou estavam de férias ou faziam um semestre da faculdade na China e foram para a Tailândia passar uns dias. Na faixa dos 30 anos, só eu e um americano. Mais que isso só um japonês na casa dos 50 que era o mais animado de todos.

Quando chegamos na casa/galpão que era nossa escola de culinária tivemos uma breve escolha dos pratos que seriam feitos e os funcionários foram apresentados. Essa parte é meio corrida. Te dão uma folhinha tipo uma comanda do Espoleto e você tem que escolher rapidamente 6 pratos: 1 curry, 1 entrada com o curry, 1 prato principal, 1 aperitivo, 1 sopa e 1 sobremesa. Logo depois fomos direto para um mercadinho local.

A parte do mercado é muito interessante e faz com que você entenda o motivo para os seus pratos feitos aqui no Brasil nunca terem o mesmo sabor que os pratos de lá. Conhecemos ingrediente por ingrediente, todos os tipos de gengibre, limão e ervas que existem. Muita gente pula essa parte e opta por fazer só a parte da tarde do tour. Na minha opinião, é uma lastima perder a parte mais importante do tour, já que o contato com ingredientes é essencial para uma boa cozinha, além de acontecer em um mercadinho pequeno onde os únicos turistas serão o seu grupo. Depois você não pode reclamar que seu curry feito em casa parece mais um ensopado da vovó!

Voltamos para a escola e já encontramos os ingredientes do nosso primeiro prato higienizados, cortados e separados! A “aula” de culinária é meio que uma experiência estilo programa da Ana Maria Braga, todo o trabalho pesado já vem pronto e você só mistura os ingredientes. Quem não cozinha fica se achando quase um Master Chefe já que basicamente não tem como dar completamente errado. Os cozinheiros são agrupamos de acordo com o tipo de curry escolhido.

As opções de pratos são as mais conhecidas, não tem nenhum prato super elaborado. São os pratos clássicos e que são conhecidos no mundo. Existem alguma escolas que oferecem cursos de alguns dias, uma semana e de até um mês, onde você pode ficar submerso na culinária local. Fiquei tentada a fazer uma submersão dessas algum dia, mas não foi dessa vez.

O primeiro prato foi bem simples, uma sopa Tom-Yom-Goong, uma sopa de camarão com um curry vermelho que já tinha sido preparado anteriormente pelo pessoal do curso.
Já o segundo deu mais trabalho, o motivo? Nós mesmos fizemos a pastinha do curry, o que inclui um intenso trabalho no pilar para transformar todos os ingredientes na pasta que dará base ao curry, que ficou maravilhoso! Nosso grupo foi basicamente o mesmo do primeiro prato, já que quase todos escolhemos os dois currys.

Curry pronto, fizemos oKieow-Wan, um prato com frango que usa o curry verde como base para o caldo.

Então paramos e fomos para uma salinha (com ar condicionado ligado no máximo!!!) onde almoçamos os nossos pratos recém preparados e bebemos um suco de tamarindo que estava gostoso mas roxo demais para mim que já fiquei achando que era desses sucos de pozinho cheio de anilina (sim, sou chata e não como essas porcarias!).

Depois de comer voltamos para preparar o prato principal. É nesse momento que chegam as pessoas que optaram por fazer somente metade da aula de culinária.

No terceiro prato fomos reagrupados em um grupão já que quase todos escolheram como prato principal o Pad Thay. Meio injusto com os outros pratos principais, já que o Pad Thay é uma unanimidade.

O quarto prato foi o rolinho Primavera. Vou confessar que esse eu queria muito aprender Porque já tinha tentado fazer em casa e falhado miseravelmente. Eles não ensinam a  massa do rolinho mas contam o segredo para um recheio perfeito (macarrão fininho de arroz!! 😂) e a selar as bordas para não abrir na hora da fritura. Depois de pronto, voltamos para a salinha refrigerada para comer os dois últimos pratos.

No final dessa segunda parte eles ainda trazem uma bandeja de aperitivos que eles comem da seguinte forma: vão colocando um pouquinho de cada ingrediente em uma folha, colocam um molho, uma pimenta inteira (!!!), enrolam e enfiam tudo na boca. Dá um medo danado por causa da pimenta mas foi a coisa mais incrível que eu comi na Ásia. É uma explosão de tantos sabores na sua boca que parece que você está comendo fogos de artifício! É incrível!!!!

Depois da orgia gastronômica e muitas risadas, o grupo já estava tão  entrosado que nós quase desistimos de fazer a sobremesa para continuar conversando.

A parte da sobremesa foi um pouco frustrante. Nós basicamente olhamos uma das cozinheiras preparar um Stick Rice. Ninguém aguentava comer mais nada, então demos uma garfada e largamos. Acho que por isso mesmo eles só fazem um para todo o grupo.

No fim ganhamos um certificado do curso, um livro com as receitas, colocamos nosso adesivo com nome em uma enorme parede com adesivos, nos despedimos e fomos levados direto para os hotéis.

Sinceramente achei que quem chega depois fica meio perdido ao ser jogado em um grupo que já está bem entrosado. Ao escolher o tempo de duração da aula você só sabe que escolhe entre 5 ou 3 pratos e se vai ou não no mercado. Achei uma pena a pessoa não aprender nenhum curry. O meio tour só faz o prato principal, o aperitivo e uma sobremesa. Minha opinião é a seguinte: gosta de cozinhar? Faço o dia inteiro! Não gosta/sabe cozinhar mas quer a experiência? Fique com o meio tour. De uma forma ou de outra faça pelo menos uma aula de culinária no Sudeste Asiático.