Sudeste Asiático

Sudeste Asiático – Roteiro de 1 dia em Ayutthaya 

  

Quando você chega na estação de trem de Ayutthaya você mal consegue atravessar os trilhos sem ser abordado por motoristas de Tuk-tuk te oferecendo tours pela cidade. Com um pouco de paciência e negociação da para fechar um bom preço. Quando chegamos fomos abordados por vários motoristas oferecendo o tour de 4 horas, mas queríamos fazer pelo menos 4 templos e com a Julia não dá para fazer uma viagem super corrida. Então fechamos um tour de 6 horas que custou 1000 bath para 3 adultos e 1 criança. Achei o preço muito justo. O motorista nos deu um livro com todos os templos para escolhermos, mostrou quais eram os principais, nos levou para comer em um lugar legal e barato e ainda começou o passeio indo até a CASA dele para pegar uma sombrinha para proteger a Julia do sol. Depois do almoço ele ainda deu um sorvete para a Julia de sobremesa. Sério!!! Muito amor por esse guia!!! Me arrependi de não ter tirado uma foto dele para poder avisar para as pessoas procurarem por ele. 

Ayutthaya é uma cidade com 1500 templos. Impossível visitar todos de uma só vez. Muita gente usa a cidade como parada de 1 ou 2 noites quando está fazendo o caminho de Bangkok-Chiang Mai de trem. Se tivéssemos mais tempo acho que seria perfeito fazer a visita com um pernoite mas o passeio de um dia já dá para conhecer muita coisa. 

Montei um roteiro de 1 dia que passa pelos principais templos e ainda faz uma parada em uma Elephant Farm (que eu odiei!).

1a. Parada – Wat Yai Chai Mongkol

  
Pelo que eu li antes de ir para a cidade, esse templo é normalmente o primeiro templo visitado na cidade por quase todos os turistas. É fácil entender o motivo, ele é muito bem conservado, imenso e se você tiver fôlego de subir até a Estupa a vista é bem incrível. Demos muita sorte, quando chegamos um grupo de mini monges estava se reunindo para tirar algumas fotos com uma Monja. Eu fiquei encantada e acabei tirando algumas das minhas fotos favoritas  da viagem inteira.

Achei interessante que esse templo foi o que nós vimos com a maior quantidade de imagens de Buda com a cabeça preservada. Além disso, todos vestiam o manto dourado. Para minha felicidade, mais fotos lindas!!! Sério, essa cidade é absurdamente fotogênica!!! O templo é bem popular tanto entre turistas quanto entre budistas e estava bem cheio quando chegamos. O templo é grande e a subida até a estupa principal com a Julia no colo foi bastante cansativa mas dá para subir. Dentro da estupa principal você pode fazer uma série de oferendas como colocar um papel de ouro em uma estátua do Buda, acender um incenso, etc. Ao redor da Estupa, fileiras de Budas sentados praticamente iguais, mas quando observados de perto é possível notar pequenas diferenças nas expressões e posições das mãos. Atrás da estupa principal, um jardim verde enorme com um Buda maior e outros 4 em posição de adoração.
A entrada custou 40bath (criança pequena não paga). Na estrada tem umas lojinhas com bebidas, lanches, umas comidinhas e várias saquinhos de frutas cortadinhas que vem com um palito de churras para você ir comendo pelo caminho. Julia amou e comeu um saco de melancia quase que sozinha. Como a cidade é muito quente (foi o segundo lugar mais quente que fomos, só perdeu para o Camboja) e a maioria dos passeios é feito a céu aberto, sugiro muita água e muitas frutas ricas em líquidos (melancia, melão) tanto para os adultos quanto para as crianças já que o risco de desidratação é grande. 

Minha sugestão é que você comece sua visita por aqui. Sabe aquele ditado de que a primeira impressão é a que fica? Então, impossível ter uma má impressão começando por esse templo.

  
2a. Parada – Wat Phra Mahathat

  

Esse eu acho que é o mais famoso de Ayutthaya: A cabeça do Buda que cresceu no meio das raízes de uma árvore. É bem legal mesmo mas vou confessar que achei que é uma coisa meio Monalisa, milhões de turistas se acotovelando para chegar perto e quando você vê começa a pensar “Nossa, é do tamanho de um selo!”. Quando chegamos ainda estava bem vazio então fomos fazer nossa foto, esperei as duas pessoas que estavam lá terminarem e me abaixei para fazer uma foto com a Julia, nesse meio tempo um grupo de orientais com umas 30 pessoas chegou e eles simplesmente pararam entre o meu marido e nós duas e começaram a fotografar. Resultado, nenhum foto ficou boa! Tem umas outras imagens decapitadas, nada extraordinário.
O templo foi o mais caro de todos na cidade, custou 100 bath a entrada eu eu não achei que vale a pena porquê você não consegue nem chegar perto da cabeça e nem tirar uma foto decente.

  

3a. Parada – Viharn Phra Mongkhol Bophit – Royal Palace

  

Chegamos no Palácio Real um pouco depois das 14h, com o sol escaldando as nossas cabeças! Nosso motorista nos deixou nos portões e de lá até a entrada do palácio é uma andada LONGA! A sombrinha que nosso motorista deu uma aliviada mas o calor ainda beirava o insuportável. Chegando no templo, que é bem bonito por sinal, demos de cara com a maior estátua do Buda de bronze do mundo. E não para por aí, ela foi toda coberta de ouro. Como todos os templos ainda em funcionamento, a retirada dos sapatos é obrigatória, mas não implicaram com meus shorts curtos.
O que me chamou a atenção nesse templo foi a quantidade de crianças que vem te abordar desde o portão da entrada. Enquanto estávamos colocando nossos sapatos de volta um dos meninos veio tentar vender umas balas, falamos que não tínhamos dinheiro e ele começou a brincar com a Julia, eu fiquei meio preocupada porque ele deveria ter uns 8 anos e a Julia só tem 2. Dito e feito, ele foi bem bruto com ela e chegou a parecer que bateria nela, além de empurra-la algumas vezes. Depois ele tentou quebrar a minha câmera. Fiquei meio sem entender se ele era uma pestinha ou só uma criança querendo atenção. De qualquer forma, vale ficar atento se estiver com criança pequena porque se tivéssemos dado bobeira, ele teria machucado a Julia.
Do lado do Royal Palace tem um outro templo, o Wat Phra Si Sanphet. Não entramos, o calor era tanto que estávamos todos passando mal. Olhamos só pelo lado de fora e me pareceu umas ruínas bem conservadas.

Não precisa pagar para entrar no Royal Palace e o Wat Phra Si Sanphet custava 20 bath se não me engano.

  

4a. Parada – Almoço

Saindo do Palácio Real perguntamos ao nosso motorista se havia algum lugar com ar condicionado para almoçarmos e ele nos levou no Baan Ice, uma pensão que aparentemente quase todos os turistas que contratam os tuk-tuks são levados. Li em alguns lugares que ela era cara e que a lojinha do lado cobrava 1/3 do valor por noodles. Gastamos 829 bath por um peixe assado com legumes, arroz frito de camarão, 2 cervejas e um suco de melancia extra grande. Não achei caro não, comemos os 4 e a comida estava gostosa, o ar congelante e o melhor, tinha um banheiro limpo!!!!
Talvez valha a pena pesquisar lugares para comer por lá, eu não pesquisei..

  

5a. Parada – Elephant Palace

Eu não queria ver elefantes em Ayutthaya porque já tinha lido que eles eram mal tratados na cidade mas a Julia viu um andando na rua assim que chegamos e ficou alucinada. Quando o motorista insistiu para que fossemos acabei cedendo. Se arrependimento matasse eu estaria morta e enterrada! Os bichos são claramente explorados até exaustão, vimos elefantes sangrando, acorrentados, os malditos ferros de disciplina e um bando de paspalhos subindo nas cadeirinhas como se isso fosse muito divertido. Sério, não faça isso! De verdade!!!!
O lugar não é um elefante Camp como anunciado, é uma arena onde uns 8 elefantes estavam com as cadeirinhas nas costas esperando que os turistas subissem para andarem pelas ruas da cidade. Logo na entrada dois elefantes menores ficam expostos para que você compre comida e os alimentem.
Não ficamos nem 20 minutos por lá. Os bichos estavam claramente agitados e o clima era horrível. Me senti muito mal de fazer parte daquele lugar. Saí correndo!

6a. parada – Wat Lokkayasutharam

   
   
Vou confessar uma coisa, esse era o templo que eu mais queria conhecer da cidade!!!! É que quando eu era criança meu irmão era viciado em Street Fighter e esse templo é basicamente a tela de fundo do SAGAT!!!! O Sagat era um dos meus personagens favoritos nas poucas vezes que meu irmão me deixava jogar com ele, e o motivo que me fazia gostar tanto dele é um pouco ridículo: Era era o único que eu sabia fazer os comandos para dar o golpe (o da esticada da perna)!!!!
Enfim, o Templo é gratuito e fica em um descampado, ou seja, mais sol na cabeça! Mas vale muito a pena! O Buda deitado é imenso!!!! Aparentemente foi ele que inspirou o Buda deitado de Bangkok. A posição que ele se encontra é a posição do Buda morto. Mas ele é tão sereno que foi um do templos que mais me fez sentir em paz. Em frente ao templo umas mulheres ficam vendendo uns amarradinhos com umas flores de lótus, uma folhinha de ouro, um incenso e uma vela. Comprei e foi minha oferenda em agradecimento por estar ali!

7a. Parada – Wat Phu Khao Thong, ou o templo mais torto que eu já vi na vida!

  
Esse templo na verdade era um mosteiro e aparentemente foi erguido sem a ajuda de um engenheiro já que ele está simplesmente afundado!!! Hahahahaha A entrada foi gratuita e só tínhamos nós por lá. O Lugar é interessante e dá para subir até uma parte bem alta (cansa MUITO!!!) de onde se tem uma vista interessante da cidade. A entrada do templo é feita através de uma ponte de madeira bem fofa e o ponto alto é sem dúvida nenhuma a Pagoda torta!

 
 
8a. e última parada – Wat Chai Watthanaram

   

 

Logo quando nós saímos da estação de Trem o motorista me disse que esse templo tinha o por do sol mais bonito da cidade. Olha, eu não tenho como comparar já que esse também foi o único pôr do sol que eu vi por lá, mas realmente ele é deslumbrante!
O Templo e imenso com quatro torres, ao redor de uma torre principal. As torres são interligadas e passear entre elas é uma aula de história. São tantas imagens que você fica perdido sem saber o que olhar primeiro. Embora eu tenha visto alguns sinais para não subir nas torres menores, vi MUITA gente subindo, inclusive crianças.
Deitamos no chão e vimos o céu mudar em tantos tons de vermelho, laranja e amarelo que nem se eu ficasse o resto do dia explicando seria fidedigno.
A entrada foi 100 bath.

  

Depois do pôr do sol voltamos para a estação e pegamos o trem da Bangkok. Foi um dia cansativo mas valeu muito a pena! Para quem  vai passar o dia na cidade meu conselho é: tente ficar o dia inteiro na cidade e conhecer pelo menos esses templos que eu citei. Vi muita gente que passou só umas 3 horas e só visitou 2 ou 3 lugares. A viagem até lá merece muito mais que isso. 

Dicas

1 – Tente chegar o mais cedo possível! O ideal é conseguir passar o dia inteiro na cidade. Chegamos às 12:30 e eu achei super tarde;

2 – Compre uma água de 2 litros já na estação. Nem todos os templos tem estrutura;

3 – Se você for uma dessas pessoas que quer fazer os templos de bicicleta escolha uma época do ano mais fresca! Em abril o clima estava de matar.

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O trem de Bangkok para Ayutthaya

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Ayutthaya é uma cidade próxima de Bangkok que é um patrimônio cultural da Unesco. Ela foi a capital da Tailândia até 1767 quando foi saqueada e parcialmente destruída pelo exército da Birmânia.
Por ser muito próxima de Bangkok (A cidade fica há 75Km da capital) ela se torna uma bate-volta perfeito para um dia de passeio.
Existem muitas maneiras de se chegar até ela, muita gente vai de tour comprado por agência, em um pacote que pode ser só de van ou van+trem ou ainda barco+van. Tem as linhas regulares de ônibus que vão até a cidade. Também dava para ir só de trem, o que torna a viagem um pouco mais longa, mas muito mais interessante para quem adora uma viagem sobre trilhos (tipo, eu!). O trajeto dura 2h e os trens saem praticamente a cada hora. Tem alguns trens que são expressos e fazem o trajeto em um pouco mais de 1h30. Eu estava doida para experimentar os trens asiáticos. Ir de trem também é a forma mais barata de se chegar em Ayutthaya, já explico o motivo.

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Os trens para a cidade saem da estação Hua Lamphong Station, uma espécie de estação central de Bangkok e de onde saem trens para diversos lugares, inclusive o trem noturno para Chiang Mai que pegaríamos alguns dias depois. Chegar na estação foi fácil, pegamos o Skytrain na estação do nosso hotel, descemos e fizemos baldeação para o metrô (MTS) e seguimos até a estação Hua Lamphong que fica do lado da estação de trem. Gastamos 88 bath para duas pessoas nesse trajeto de Skytrain e metro. Vale lembrar que crianças menores de 5 anos não pagam nos transportes públicos na Tailândia.

A estação de trem é um pouco precária e suja. Achei feia, mas bem menos feia do que a estação que iríamos encarar em Hanói. Tinha um balcão com umas duas pessoas que falam um inglês razoável, uma praça de alimentação com alguns restaurantes (não comemos em nenhum) e não tem banheiros! Isso mesmo! Não existem banheiros na estação, se você tiver com muita vontade, na rua, na lateral da estação, existe uma espécie de banheiro químico/trailer com alguns toaletes. Me aventurei em um e desisti quando chegou a minha vez, o sanitário era o de agachar e tinha água (e xixi) por todos os cantos. Então fica a dica: vá ao banheiro antes de sair do hotel ou espere para fazer no trem, não é super limpo mas como eu fui antes do trem sair da estação ele estava usável.

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Perdemos o trem das 9h e acabamos pegando o de 10:40 que não era o expresso, então já sabíamos que faríamos a viagem longa. A estação estava relativamente cheia e para que gosta de observar pessoas ela é um paraíso! Famílias, monges, turistas, todo mundo misturado! Uma delícia.

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No caminho para Ayutthaya passamos nosso primeiro perrengue da viagem. Quando compramos a passagem, simplesmente pedimos tickets para Ayutthaya, nos custou 40bath (20bath/pessoa) e nós ficamos impressionados em como aquela viagem era barata, só que tinha uma pegadinha: esse era o preço da terceira classe sem ar condicionado (até aí ok) e SEM lugar marcado! É que os trens que saem de Banhkok e passam em Ayutthaya normalmente fazem viagens muito longas, então eles deixam para vender os assentos marcados para as pessoas que vão encarar longas horas de viagem. Resumo da história, passamos duas horas pulando de assentos conforme o trem ia parando nas estações e novas pessoas chegavam para ocupar os seus lugares.

Existem 3 tipos de tickets nesses trens: os de segunda classe com lugar marcado, ar condicionado e assentos confortáveis e os de terceira classe sem lugar marcado, com banco duro e ar condicionado natural. Meu conselho é: vá ciente de que o trem é cheio, que quando o trem não está em movimento faz muito calor e que existem alguns pouco lugares que não são numerados mas você vai ter que correr pra pegá-los. No mais, relaxe e observe como tem gente interessante andando nele.

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A volta foi mais tranquila. Também pegamos o trem sem ar mas dessa vez com lugar marcado e ele estava bem mais vazio do que a ida e conseguimos voltar tranquilamente. A passagem de volta é mais barata do que a ida, a nossa custou 15 bath por pessoa. Na estação de Ayutthaya tentaram nos empurrar a passagem de primeira classe que custava 160 bath, quando eu disse que não queria e preferia a terceira classe o bilheteiro fez uma careta mas me vendeu sem problemas. Julia curtiu bastante o passeio de trem e dormiu quase que toda a ida e uma parte da volta.

Bom, sobre ser a forma mais barata de visitar a cidade. Pelas minhas pesquisas ir de van custa 70 bath, de van-barco , tinha um outro que oferecia um tour de bicicleta por 950bath (oi?!?!?!), de trem gastamos 35bath/pessoa!!!! É realmente muito fácil chegar na cidade, não vale a pena pagar uma agência para intermediar a viagem!!! E não caia na armadilha da agência que diz que seu diferencial é ter guia, alguns motoristas de Tuc-Tuc falam bem inglês e podem servir de guias e motoristas. Um google nos templos também ajuda e eles tem uns livrinhos que contam toda a história da cidade, de graça!