Como visitar o Featherdale Wildlife Park de transporte público 

Não, eu não gosto de Zoológicos! Sim, eu sou contra a exploração de animais. Mas eu não vou mentir, eu queria muito ver um coala! Sabe desejo de infância? Então! Mal sabia que eu me apaixonaria muito mais pelos Wallabies do que pelos Coalas.  Acabou que fomos em dois zoológicos durante a viagem. Ambos com propostas bem diferentes dos zoológicos tradicionais mas ainda zoológicos. Todo o bom carma que eu consegui atrair por não fazer nenhuma atividade exploratória de animais no Sudeste Asiático foi pelo ralo na Austrália.

Descartei imediatamente o Taronga, zoológico mas famoso de Sydney, por ser um Zoo tradicional e ter um preço salgado demais para o nosso planejamento. Enquando eu estava pesquisando sobre o passeio de um dia nas Blue Mountains o Featherdale Wildlife center apareceu. Muitos pacotes que saem de Sydney para as Blue Mountains incluem algumas horas no parque. Os planos iniciais incluíam visita-lo por umas duas horas pela manhã e depois continuar viagem até as Blue Mountais. Só que a Julia gostou tanto que acabei desistindo das Blue Mountains e fiquei no Featherdale até o meio da tarde.

O Featherdale era originalmente uma fazenda de aves domésticas (galinhas, patos…)  que em 1972 virou um parque de vida selvagem. É um parque privado, como a maioria dos parques de animais da Austrália. O objetivo central do parque é de servir como santuário para animais que não sobreviveriam na natureza. O símbolo do parque é um coala chamado Archer que foi encontrado ainda muito filhote com a mãe órfã. Ele foi tratado no Featherdale e está lá até hoje para contar a história. 

Chegar no Featherdale de transporte público é bem fácil, embora o caminho não seja curto, basta pegar um trem na estação central. As linhas que chegam no parque são a North Shore and Western line e a estação mais próxima do parque é a Blacktown Station. Saindo da estação ficam várias plataformas de ônibus, o da plataforma 9 te deixa no parque. 

Quase perdi a entrada do parque porque o motorista não avisa que o ponto é do Featherdale e a entrada não tem nenhuma sinalização que chame muito a atenção. Nossa sorte foi ter pego o ônibus com uma família australiana que estava indo para um centro de cultura aborígene que fica próximo ao parque, do contrário estaríamos no ônibus até hoje.

Logo na entrada eles distribuem um mapa  do lugar com os horários das palestras e algumas regras do parque. Passando a catraca de entrada você já dá de cara com os Wallabies. Marsupiais que parecem cangurus em miniatura e que são as criaturas mais deliciosas que eu já vi! Queria ter trazido um na mala!!! Eram vários! Muitas estavam com seus filhotes guardados na sua bolsa abdominal então era comum estar fazendo carinho em um e do nada aparecer um rabo, um pé ou uma cabecinha extra. A coisa mais fofa!! Julia ficou encantadas, até se aventurou em fazer carinho em quase todos.

Alguns cangurus jovens também ficam nessa parte. É interessante perceber que os cangurus só ficam soltos assim enquanto jovens. Ao atingir a idade adulta eles podem ficar um pouco agressivos (sabe o canguru dos desenhos animados? O que luta boxe e da patadas? Com certeza é um adulto!). Só encontramos os adultos em um outro local do parque, em uma área bem maior e isolada por uma cerca baixa.

No parque você pode comprar um cone com um matinho dentro que é a alimentação deles, custa 1 dólar australiano e é a felicidade da galera, os bichos ficam loucos com a comida e as criança também. Achei interessante ter essa opcão, além de vários avisos para não oferecerem outros alimentos pois fariam mal aos animais. Vi também alguns avisos para não oferecerem a comida dos marsupiais a outros bichos, principalmente na parte dos pinguins.

Na área dos Wallabies também estão os Wombats, uma outra espécie de marsupial que lembra um porquinho mais baixo e redondinho. Com esses, a interação é proibida pois eles atacam. 

Logo depois dos Wallabies tem uma parte com répteis onde você pode segurar cobras e tal, a Julia saiu correndo e eu vou confessar que répteis gelados não são exatamente a minha idéia de animais que podem ficar rodeando a minha mão. Fiquei com um pouco de pena do cuidador que estava todo solicito tentando fazer com que as pessoas aprendessem alguma coisa sobre as cobras e ninguém dava atenção, todos corriam para a parte dos coalas.

Depois das cobras, quer dizer, dos répteis, vem a parte mais esperada. Você entra em um corredor com vários cubículos, cada um com uma pequena árvore e um ou dois coalas, eles ficam lá paradões, dormindo, te olhando. Logo em seguida você entra em uma fila para ver um coala de perto. Para minha sorte, só tinham umas duas pessoas na frente. 

Então vem o tal encontro com o coala! É tudo meio rápido. Você para do lado do coala, uma das monitoras te avisa que só pode fazer carinho na parte de baixo das costas (não sei se isso vale para todos os coalas ou só para o que eu vi). Segundo as monitoras, os coalas ficam só alguns minutos expostos e depois são trocados por outros para não se irritarem, mas acho que isso não funcionou muito com o meu porque na hora que eu encostei nele, ele tentou me acertar com um golpe em câmera lenta. Julia ficou apavorada e eu achei que pareceu um desenho animado bizarro. Vamos dizer que a Julia prefere só os coalas de pelúcia até hoje.  

Aparentemente coalas são bichos meio estressadinhos que não curtem muito contato. Meio fácil de entender né? O bicho fica ali, doido para dormir as suas 18 horas de sono diárias e vem um monte de gente perturbar!! As pessoas perdem a noção, logo depois que passamos pelo coala veio um grupo de chineses com milhões de câmeras pipocando flashs, passando a mão pelo coala inteiro, teve um que até tentou abraçar. Até eu fiquei torcendo para o coala dar uma unhada em um deles.  

Pegar um coala no colo é proibido na maior parte da Austrália, o que eu acho bem prudente já que eles têm unhas enormes que podem fazer um estrago. Ao que parece, assim que eles sobem nas pessoas eles fazem xixi para marcar o território! Uma outra informação que me deram foi que a maioria dos coalas que estão livre são portadores de Clamídia. Não sei se é verdade, mas é meio assustador.  

Depois dos Coalas o santuário vira um zoológico igual a todos os outros. Animais presos em jaulas minúsculas, um crocodilo gigante em uma piscina rasa e pequena, uma jaula eletrificada para os Dingos. No meio do caminho tem uma piscina para os pinguins e uma mini fazendinha com porcos, coelhos, ovelhas e doninhas. No final eles tem mais uma área com bastante espaço para os Cangurus adultos. Nessa parte encontramos alguns Wallabies crescidos que ficam tentando arrumar um pouco de comida. Já os cangurus ficam atrás de umas cercas que protegem mas ainda permitem contato com eles. Em todas as partes vimos aves soltas, flamingos, avestruzes, pelicanos, mas as que ficam presas, como as araras, por exemplo, mal podem voar.

No geral eu posso dizer o seguinte, matei minha vontade de chegar perto de um coala, fiquei loucamente apaixonada pelos Wallabies e pelos cangurus, mas morri de pena dos outros bichos! Eu entendo que a Austrália é um país com uma quantidade enorme de queimadas que matam milhares de animais anualmente, o que faz desses santuários um refúgio para os animais lesionados ou que ficaram órfãos e que morreriam no habitat natural, além de funcionarem como um mecanismo de preservação dessas espécies, e isso que acho muito válido, mas precisava prender as aves? Para que manter um crocodilo em uma piscina infantil? Será que fazer o bem de uns justifica o aprisionamento de todos os outros? Eu acho que não!

Eu gostei bastante do fato do parque ser aberto, com muitas árvores e com muitos animais soltos (muitas aves, inclusive). O preço é bem amigável do que os grandes zoológicos da Austrália. Não é difícil chegar de transporte público. A maioria dos reviews indica de 1-2h para conhecer o local, mas se você estiver com crianças eu indicaria passar boa parte do dia por lá. A palestras são boas, as crianças vão ficar horas fazendo carinho nos wallabies (e alguns adultos também 😉 ).

Dados técnicos:

Endereço: 217-229 Kildare Road,

Doonside, Sydney NSW 2767

(perto de Blacktown) Australia

Trem: plataforma 18 na estação central de Sydney. O trem tem 2 andares, assentos de 2 do lado esquerdo e 3 do direito. O lado direito tem muito sol durante a manhã.

Passagem city até featherdale: AU$4,21

Ônibus: plataforma 9 do lado da estação de trem. Valor: AU$2,10

Entrada Featherdale:

Adulto: AU$31,00
Criança 3-15 anos: AU$17,00
Família (2 adultos/1 criança): AU$71,00
Família (2 adultos/2 crianças): AU$85,00
Família (1 adulto/1 criança): AU$58,50
Criança extra nos pacotes de famílias: AU$ 14,00

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8 comentários

  1. Nossa, minha pequena adora zoologico e não vou mentir que eu também. Claro que evitamos lugares que possam judiar dos animais (como circo e atrações de “encontre”). Gostei bastante da proposta do parque que você escreveu e que bichinho lindo, não? 🙂

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  2. Adorei este post, Featherdale Wildlife Park parece incrível! Claro que sei que infelizmente você vai receber críticas já que a maioria dos que são contra zoológico são tão hipócritas que mantém um cachorro em cativeiro dentro de um “apertamento” e só o alimentam com ração (comida totalmente artificial e industrializada) e ainda querem defender o direto dos animais. Tenho certeza de que no Featherdale os animais são super cuidados, dá pra ver pelas fotos (lindas por sinal).

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  3. Ah, super entendo esse dilema ético. Também não curto muito a ideia dessas experiências com animais, mas na prática é a chance que a gente tem pra ter um contato muitas vezes sonhado pela vida inteira. Mas se é um refúgio e os bichinhos são bem tratados acho que tá valendo!

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  4. A carinha de brava da Julia é a coisa mais linda! Eu também não sou fã de zoológicos, prefiro fazer safári, com os bichos soltos e eu presa. Dá um alívio saber que aí eles são bem tratados, pq depois de passarem a vida toda recebendo comidinha na boca, eles perdem totalmente a capacidade de caçar.

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  5. Escrever sobre um zoológico gera muita polêmica, também somos contra, mas muitos zoológicos servem de abrigo para animais que foram encontrados machucados, muitos profissionais dedicam a vida para cuidar muito bem dos animais.

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