Austrália

Vale a pena fazer a trilha de Coogee até Bondi com uma criança pequena?

 

6 km de trilha, com alguns pontos beirando penhascos, outros passando por trilhas suspensas, não parece um bom programa para levar uma criança de 3 anos, mas quando começamos a montar o roteiro de Sydney todos os blogs que líamos falavam da famosa trilha que liga as praias de Bondi até Coogee ou vice versa. Alguns preferiam a trilha começando em Coogee, outros em Bondi, em comum, nenhum falava que a trilha não valia a pena. Tão pouco falavam sobre como era ir com crianças pequenas.

Quando montamos o roteiro separamos sugestões de dia mas nada muito engessado porque sabíamos que o tempo em Sydney em abril poderia variar até 15 graus de um dia pra o outro, então não dava para deixar nada muito fixo. No roteiro original iríamos já no primeiro dia para as praias já que seria um dos poucos dias de céu azul, acontece que nós ficamos tão cansados que deitamos para descansar só um pouquinho e acabamos dormindo por 18 horas! Como a previsão para Sydney era bem irregular, nós decidimos aproveitar o segundo dia na cidade e encarar a trilha mesmo com nosso corpo ainda reclamando do Jetleg.

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Nós decidimos começar por Coogee e andar até Bondi porque a oferta de restaurantes e civilização é bem maior em Bondi do que nas outras praias, então aqui vai a primeira dica, leve lanches e água e, se decidir começar cedo como nós começamos se prepare para um almoço mais tarde. Para aproveitar realmente o passeio o ideal é se programar para passar um dia inteiro, parando em todas as praias, fazendo a trilha com calma e se deliciando com a vista. 

Tomamos um super café reforçado no nosso apartamento e seguimos para a praia.

Coogee fica há uns 40 minutos do centro de Sydney e é bem simples chegar até lá, basta pegar a linha 373 saindo da Museum Station ou o 372 saindo da estação central, as duas linhas te deixam na Arden Street, a rua da praia de Coogee.

Coogee é uma praia urbana com uma piscina incrível no canto direito e uma faixa de areia bem larga, vimos muita gente passeando com o cachorro e levando as crianças para brincando na areia, além de um mar tão transparente que fica difícil de acreditar se tratar de uma praia urbana. No canto direito vimos uma boa quantidade de corais. Não entramos na praia e preferimos começar logo a trilha que começa no canto esquerdo da praia. 

Para os sedentários como nós, a trilha já começa subindo! 😉 A subida dá em uma casinha com a palavra Baths e de lá tem uma escada que dá na primeira piscina natural. Essa é bem natural mesmo, bem difícil de entrar (sem escadas) mas com um visual lindo. Só molhamos o pé e seguimos viagem porque a Julia ficou com medo de entrar. Nem foto tiramos. Continuamos a trilha e chegamos em Gordons Bay, uma praia pequena mas que te dá o visual mais bonito de todas as praias. Sabe aquela coisa de praia deserta que vai aparecendo no meio do nada, com um mar azul maravilhoso, uns barquinhos de pescadores e um cachorro brincando na água? Então, é isso mesmo! Na minha opinião é a praia mais bonita. Vazia, pequena e com cara de ilha perdida.

Depois de Gordons Bay encaramos mais uma super subida e uns penhascos lindíssimos e chegamos em Clovelly Beach. A Julia se encantou com a praia sem nenhuma onda, alguns peixinhos, um cais raso que dava para pular na água e uma piscina semi-olímpica. Na minha opinião, é a praia mais feia de todo o trajeto, cheia de algas e meio fedorenta mas a Julia se encantou e acabamos ficando mais de 1 hora por lá. É uma praia para famílias, vimos várias sentadas tomando sol, enquanto as crianças brincavam na água. Aqui nós reparamos uma coisa que foi confirmada durante o restante da viagens, os Australianos deixam as suas crianças bem soltas, ficam conversando super longe da água enquanto as crianças estão correndo por aí, entrando na água, fazendo bagunça, meio perturbador para essa mãe latina que vos fala.

De Clovelly seguimos andando pela parte mais cênica do caminho, um cemitério beirando um penhasco com as ondas batendo em um caminho suspenso que te faz desejar ser enterrada ali só para ter aquela vista! Esse pedaço é lindo demais!! Uma das coisas mais incríveis que eu já vi! Ah! Nota para os engenheiros cariocas, o caminho é todo suspenso, com ondas batendo, e nunca teve nenhum acidente. Vimos em alguns pontos que alguns trechos podem ser fechados dependendo do tempo. Mais um motivo para só fazer a trilha em dias bem bonitos.

Nossa penúltima parada foi Bronte Beach, minha praia favorita, com uma boa infraestrutura, mar calmo no lado direito devido aos corais, uma piscina incrível, banheiros limpos e organizados, chuveiro, alguns restaurantes. No dia que fizemos a trilha a piscina estava fechada para manutenção. Como foi nossa praia favorita, acabamos voltando em outro dia e vai ter um post só para ela.

De lá passamos direto pela Tamarama Beach e seguimos para Bondi. A trilha passa pela piscina do Iceberg Club que é provavelmente um dos cartões postais de Sydney e figura entre todos os tops 10 de coisas imperdíveis que você tem que fazer em Sydney. Eu não acho que vale a pena! É o seguinte, a piscina é legal e muito famosa, mas custa 6,5 dólares para entrar. Quase todas as praias que nós passamos também tem piscinas e TODAS gratuitas!!!
Mas esse trecho também é bem bonito, com os paredões de terra minando água, bastante vegetação. Também foi a parte mais cheia do caminho, com uma quantidade enorme de orientais e turistas fazendo selfie. Uma das coisas que mais chamou a minha atenção foi o grande número de pessoas fazendo exercícios na trilha, eles subiam e desciam correndo como se não houvesse amanhã. Morri de inveja! Mas tenha cuidado porque se bobear eles te atropelam.


Passamos pela piscina famosa e andamos até a praia que além de uma super infraestrutura, tem uma faixa enorme de grama, esticamos nossa canga e a Julia tirou um super cochilo. Foi um daqueles momentos que te fazem entender o que te leva a ir tão longe, um solzinho gostoso, uma graminha fresquinha para deitar, umas pessoas super interessantes passando, só faltou uma cervejinha… Ah! esqueci de comentar, é proibido beber nas praias australianas, a felicidade tem que ser sóbria mesmo!

Nós almoçamos/jantamos em um restaurante bem legal chamado Fishmonks, super indico o fish and chips, depois vou falar dele em um post só sobre restaurantes de Sydney.


Sobre ir com uma criança pequena, a Julia já anda bem, ela está acostumada a dar umas boas caminhadas conosco, mas diversas vezes tivemos que leva-la no colo e principalmente no trecho final em que ela dormiu a caminhada foi um pouco penosa. Normalmente usamos os Ergo para essas caminhadas mas dessa vez percebemos, tarde demais, que ele já está muito pequeno para a Julia e que já estava machucando as perninhas dela. O caminho é super bem feito mas tem subida, escada, dá uma cansada. Se eu deixaria de ir? Nem pensar! Foi um do lugares mais bonitos que eu já fui!!! Mas já se prepare para fazer um exercício extra nos braços. Carrinho nem pensar e para as famílias que tem crianças mais curiosas, atenção redobrada porque a proteção da trilha para os abismos não é das mais fechadas. No mais, toda a trilha tem banquinhos para descanso. Minha dica é, não faça a trilha em poucas horas, passe o dia inteiro parando, comendo, brincando e você não vai quase sentir.

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